livros de biblioteca

 

Tenho um gosto especial por livros de biblioteca. Usados, rasgados, emendados. Principalmente: marcados. Quase uma tara. Não sei quem inventou que livro é objeto intocável.

Ler um livro assim é como ir ao cinema. Compartilhar um espaço com muitas pessoas. Ouvir as gargalhadas e sentir aquela tensão no ar antes da cena final.  Já ler um livro novo é um pouco como assitir ao DVD: tem sua graça, mas também tem aquela sensação de vazio, aquela solidão. Tudo muito clean.

O livro da biblioteca tem mais orgulho de ser livro. É um servidor nato, um garçom de idéias.  -” Por favor amigo, leve essa observação para aquela morena de vestido verde”.        “- Mas alguma coisa senhor?”.

Não há sensação como abrir um livro recém emprestado e se deparar com “o capitalismo é despersivo, descentralizado”. De que estojo, mão ou galáxia, terá vindo esta letra vermelha, ortografia ginasial, caprichosamente escrita no canto da folha de rosto?

Aproveito para deixar minha marca nos livros que mais me inspiram: “Arte é uma tentativa de aproximação” é a minha mais recente intervenção na folha de guarda de um Zigmunt Bauman surrado, “O mal-estar da pós-modernidade”. A orelha, de tão vivida, destacou-se e  foi parar na minha mão. Sem pestanejar, a coloquei pra dentro do miolo: agora é marcador.

Livro emprestado é bem melhor do que livro comprado. O prazo é sempre um motivo para uma relação mais intensa. Paixão de viagem. A data pra acabar reforça o valor da leitura.


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